O zagueiro Rodrigo Becão e o goleiro Gabriel contam os bastidores da volta do futebol na Itália
Becão após sua estreia, quando marcou contra o Milan. (Foto: Divulgação/Udinese)

Ex-Bahia, Rodrigo Becão e ex-Cruzeiro, Gabriel falam sobre a volta do futebol na Itália

A bola vai voltar a rolar no Campeonato Italiano após 3 meses de paralisação devido a pandemia do COVID-19 mesmo em meio a tantas incertezas já que o país chegou a ser o epicentro da doença e ainda ocupa a sétima posição em número de casos e é o quarto país com mais número de mortes até o momento. A bola já rolou três vezes no país da bota pela Copa da Itália, que terminou com o Napoli campeão. Na Serie A, já tiveram os jogos entre Torino x Parma e Hellas Verona x Cagliari.

Mesmo com o retorno dos jogos, a Serie A concordou em não ter título e rebaixamento caso o campeonato não possa terminar em campo – exceto se houver certeza matemática. Para vagas europeias, resultados restantes seguiriam a média de pontos do momento.

Na Serie A da Itália atuam 37 brasileiros, contando com aqueles que possuem dupla nacionalidade e apenas três equipes não possuem brasileiros em seu elenco: Inter, Genoa e Brescia. A equipe que mais possui brasileiros é a Roma com 5 brasileiros.

A Udinese, do zagueiro Rodrigo Becão, é a segunda equipe que mais possui brasileiros. A equipe do Planeta Brazuka conversou com o jogador revelado pelo Bahia e o goleiro Gabriel, revelado pelo Cruzeiro, atualmente no Lecce, para entender como enfrentaram a quarentena e como está sendo a volta do futebol italiano.

Rodrigo Becão:

Becão durante partida da Udinese. (Foto: Divulgação/Getty Images)

O zagueiro Rodrigo Becão tem 24 anos e apesar de ser revelado pelo time baiano, acabou disputando apenas 21 partidas profissionalmente. Foi no CSKA Moscou que sua carreira deslanchou de vez. Conseguiu se destacar na equipe russa, tendo boas atuações inclusive contra o gigante Real Madrid na Champions League. Suas atuações o chamaram atenção da Udinese que pagou R$ 7 milhões pelo zagueiro. Vem atuando com frequência no time de Udine e marcou gol logo na sua estreia contra o Milan.

Adaptação

Rodrigo Becão tinha apenas 8 meses e 21 jogos que havia chegado a Itália até março, que foi o momento em que a pandemia estourou por lá e o país entrou em quarentena total. O jogador contou como estava sua adaptação e se a proliferação do vírus dificultou sua nova estadia.

“A pandemia não dificultou a minha adaptação. Já estava aqui no país há alguns meses e vim para cá com a minha esposa também o que me ajudou bastante na adaptação. Além disso, tem alguns brasileiros no clube também então não foi difícil de se adaptar. A Itália é um ótimo país para se morar. Claro que a pandemia é algo muito impactante, mas graças a Deus aos poucos as coisas vão voltando ao normal.”

Os brasileiros citados pelo zagueiro são o goleiro Nicolas Andrade, ex-Atlético-MG, Samir e Walace, dois jogadores que recentemente estiveram na Seleção Brasileira, além de serem revelados pelo Flamengo e Grêmio, respectivamente. A principal dificuldade de adaptação para Becão foi o idioma italiano.

“Confesso que é uma língua muito difícil de se aprender. Mas quando você mora no país e convive diariamente com esse idioma o aprendizado vai ficando mais natural. A pandemia prejudicou um pouco neste aspecto, mas neste tempo mantive tentando aprender mais essa língua. Agora com os retornos dos treinos pude voltar a praticar isso também.”

Receio

A região italiana onde fica localizada a província de Udine registrou 3.299 casos e 343 mortes até o momento, além da pandemia ainda não está totalmente controlada. Ainda existem cerca de 24 mil casos de COVID-19 ativos no país da bota, mas o zagueiro destacou que a Federação Italiana e todos os clubes estão seguindo rigorosamente todos os protocolos, deixando assim, os jogadores bastante tranquilos com a volta do futebol.

“Receio a gente tem sim, de que as coisas poderiam não ser como antes. Mas acredito que com o tempo tudo vai se normalizar. Os clubes aqui na Itália tem tomado todas as medidas de segurança para que tudo ocorra de maneira segura. Por isso, fico sim mais tranquilo. Mas todos temos que fazer nossa parte.” ressaltou Becão.

Volta ao futebol

“Conseguimos manter a rotina de treinos. O clube nos passou todo um protocolo de treinos que seguimos bastante ao longo deste período em casa. Claro que é diferente dos treinos no CT, mas me sinto confortável para jogar já. Ainda estamos tendo esse tempo de preparação no próprio clube que vai ajudar bastante.”

Jogos sem torcida

No Campeonato Italiano tiveram cinco jogos sem torcida antes da paralisação, mas a Udinese não chegou a disputar. O clube que é o 14º colocado tinha média de 21 mil torcedores por partida e tem a nona melhor campanha da Serie A, ganhou 19 dos seus 28 pontos jogando em casa.

“Vai ser uma coisa nova sim. Com certeza o torcedor vai fazer muita falta para nós. Mas temos que entender que a saúde é a coisa mais importante neste momento. A ausência do torcedor não será um fator negativo só para nós, mas para todos os clubes. Hoje, isso é uma medida necessária.”

 

Gabriel Vasconcellos:

Gabriel defendendo pênalti de Kolarov. (Foto: Divulgação/Lecce)

O goleiro brasileiro Gabriel, de 27 anos, foi revelado pelo Cruzeiro, mas nunca chegou a atuar profissionalmente, mas foi na base do clube mineiro que ele se destacou e chegou a Seleção Brasileira. Fez parte da geração de Coutinho e Oscar que conquistou o Mundial sub-20 e a prata nas Olimpíadas de Londres. Chegou a ser convocado por Mano Menezes em 2010. Foi comprado pelo Milan em 2012, mas pouco atuou e foi emprestado posteriormente para Carpi, Napoli, Cagliari, Empoli. Depois foi vendido para o Perugia e nesse ano chegou ao Lecce.

Rotina de treinos

 Gabriel estava tendo a sua maior sequência na Serie A nos seus oito anos na Itália, atuando em todos os 23 jogos do Lecce na temporada. Com a temporada interrompida pela pandemia do COVID-19, o jogador conseguiu seguir o protocolo de treinos na sua casa.

“É a minha melhor temporada aqui na Serie A. Eu tive a oportunidade de conseguir manter um certo nível de treinamento por morar em uma casa com um espaço com jardim, por ter uma academia em casa e ter um profissional que me acompanha, mas nada que chegue perto da realidade do treino no time, pois ali a gente treina com time, treinos de alta intensidade, com treinador de goleiros, com bola, então é uma realidade diferente”

Segurança

A região de Puglia, onde fica a localizada a província de Lecce teve 4.520 casos de COVID-19 e 538 mortes. Atualmente existem apenas 255 casos ativos. A pandemia já está controlada por lá. Lecce que possui uma população de 95 mil pessoas foi pouco afetada.

“Olha, graças a Deus a situação aqui em Lecce foi bem tranquila, então a gente teve toda a orientação do staff médico e a gente ficou bem tranquilo para voltar a treinar, tomamos todas as medidas de segurança e tá indo tudo bem, bem tranquilo”.

Ansiedade

“Teve dias que confesso que bateu uma ansiedade e uma preocupação por eu ficar naquele momento lendo notícias procurando uma certeza e naquele momento só ter indefinição, nada certo. Coisas que me ajudaram foi procurar manter uma rotina, estudar, ler um livro, comecei a ter uma rotina de treinamentos, alimentação, aulas online e isso me ajudo bastante”

Expectativa

A volta acontecerá contra o seu ex-time Milan e também outro gigante que é a Juventus, duas pedreiras para o Lecce que está na zona de rebaixamento, ocupando a 18ª colocação e precisará de uma recuperação para se manter na Serie A.

“A expectativa para a volta do campeonato está alta. O time está bastante motivado, a gente fez um período de preparação muito bom. A gente está numa expectativa boa de voltar, de fazer grandes jogos. A gente sabe que não vai ser fácil, mas estamos determinados a lutar para buscar nosso objetivo e buscar melhores resultados”.

Ansiedade para volta

“Tá dando aquela ansiedade para voltar a jogar, aquela sensação gostosa. Eu tive a oportunidade de disputar um jogo sem torcida pelo Napoli, na Europa League, fora de casa. É um clima diferente porque as vezes dá um clima de jogo amistoso, você consegue escutar tudo que é falado dentro de campo, o treinador gritando. É um ambiente diferente. A gente vem tentando simular treinos para se acostumar o quanto antes”.

O Lecce do goleiro Gabriel volta a atuar nessa segunda-feira contra o Milan dos brasileiros Lucas Paquetá e Léo Duarte, enquanto a Udinese de Rodrigo Becão vai até Turim na terça-feira enfrentar a Torino dos brasileiros Lyanco e Bremer.