Ludmila fala sobre seu isolamento durante a pandemia e a situação do futebol feminino na Europa
Ludmila em partida pelo Atlético de Madrid. (Foto: Divulgação/Instagram Ludmila da Silva)

As promessas de um grande ano para o futebol feminino após o sucesso da Copa de 2019 foram impedidas pela pandemia do novo Coronavírus (Covid-19). Campeonatos foram encerrados, suspensos ou estão aguardando sua retomada, da mesma forma que o masculino. Na Europa, essa situação – assim como as ligas de futebol feminino pelo continente – se apresenta de forma variada.

Panorama geral

Na França, as restrições relacionadas à pandemia se iniciaram em março. Em abril, o primeiro-ministro do país, Édouard Philippe, declarou o cancelamento de qualquer evento esportivo até setembro. A FFF (Federação Francesa de Futebol) confirmou o título do Lyon pela 14ª vez consecutiva, encerrando o Campeonato Francês de futebol feminino na 16ª rodada.

A Itália, um dos países mais afetados pelo Coronavírus, suspendeu todas as competições esportivas nacionais no início de março. No mês de junho, a Federação Italiana de Futebol (FIGC) anunciou a retomada da Serie A e da Coppa Italia, ambos do futebol masculino. O futebol feminino, que ainda é amador no país, foi encerrado no dia oito de junho e a FIGC não declarou um campeão. 

Em Portugal, a FPF (Federação Portuguesa de Futebol) decidiu pelo cancelamento de todas as competições amadoras, sem vencedores, rebaixamento ou acesso. O futebol feminino, sem previsão de se profissionalizar no país, encerrou a temporada 2019/2020 com o Benfica e o Sporting dividindo a primeira colocação com 42 pontos. Pouco tempo depois, a Holanda fez o mesmo, mas optou por cancelar todos os campeonatos até setembro.

Na Inglaterra, o primeiro-ministro Boris Johnson declarou o fechamento de restaurantes, locais de entretenimento e escolas a partir do dia 20 de março, mas o relaxamento das medidas restritivas já se iniciou no país. O futebol feminino, já profissional na terra da rainha, teve a Superliga Feminina e o Campeonato Feminino encerrados pela Football Association (FA). O resultado não foi decidido e, portanto, não se sabe quais equipes disputarão a Liga dos Campeões Feminina na próxima temporada. 

 

O campeão Wolfsburg ainda sonha em conquistar a Copa da Alemanha e a Champions nessa temporada. (Foto: Divulgação/Instagram UWCL)

Assim como na Inglaterra, o futebol feminino na Alemanha também já é profissional. O campeonato alemão feminino retornou no fim de maio e já tem campeão: o Wolfsburg. O time de Stephan Lerch consagrou o tetracampeonato a duas rodadas do fim com um 2×0 em cima do Freiburg. Além disso, o Wolfsburg decidirá a Copa da Alemanha no dia quatro de julho contra o SGS Essen.

A Alemanha foi o primeiro país da Europa a retomar o futebol após a pandemia, com a permissão da primeira-ministra Angela Merkel e um plano da Federação Alemã de Futebol (DFB) para deter a propagação do vírus – que engloba testes regulares dos jogadores e funcionários, além da limitação do público dentro e fora dos estádios.

 

Na Espanha, a RFEF (Real Federação de Futebol da Espanha) declarou o Barcelona campeão da liga feminina, após o encerramento das competições amadoras. O clube catalão estava nove pontos à frente do Atlético de Madrid, da jogadora brasileira Ludmila da Silva. A atacante nos contou um pouco sobre sua situação na Espanha durante a pandemia. 

(Foto: Divulgação/Instagram Ludmila da Silva)

Início do isolamento social:

A jogadora, em um primeiro momento, não foi liberada pelo clube a voltar ao Brasil, devido ao diagnóstico positivo, porém assintomático, para Covid-19. Ludmila permaneceu por volta de dois meses na Espanha em isolamento, longe de sua família.

“A quarentena nas primeiras semanas foi muito difícil, de ficar em casa, de ficar sem jogar bola. Foi muito difícil, confesso. Não via a hora de passar, tive que ser bem forte pra não ter muita ansiedade. Queria estar há muito mais tempo com eles, porque eu fiquei muito tempo lá sem fazer nada e eu preferia ter ficado aqui nessa situação. Eu sou uma pessoa que prefiro ficar com a família, independente de qualquer coisa”, relata.

Treinos:

“Treinar em casa não é a mesma coisa, não é intenso como se treinar no campo. Foi muito ruim mesmo, tive que manter o foco. Era onde eu conseguia fugir um pouco dos meus pensamentos, de muita coisa louca que passa na cabeça como se essa situação não fosse acabar. Me ajudou um pouquinho também, mas não é a mesma coisa.”

Retorno e expectativas:

“Eu estou ansiosa. A gente sabe que o Barcelona ganhou a Liga e que já era delas também. Vamos voltar a treinar e focar na Champions, para continuar esse ano com algum campeonato. Não terminamos muito bem antes da parada, mas sei que nem sempre teremos vitórias.” No início de julho, a jogadora retorna ao clube para a pré-temporada.

UEFA Women’s Champions League (UWCL)

A UEFA divulgou um novo formato para os jogos decisivos da Liga dos Campeões Feminina, que deverá acontecer entre os dias 21 e 30 de agosto. Todas as partidas (únicas, sem ida e volta) serão realizadas na região do País Basco, Espanha. Um sorteio em Nyon (Suíça), sede da UEFA, definirá a ordem dos jogos a partir das quartas de final.

As partidas serão com os portões fechados para evitar a propagação do vírus e serão permitidas cinco substituições como em outros campeonatos que retornaram recentemente. Os estádios San Mamés, em Bilbao, e Anoeta, em San Sebastián, serão o palco dos jogos. As sedes para as próximas finais da UWCL foram mantidas – Gotemburgo (2021), Turim (2022) e Eindhoven (2023).

 

*Pouco tempo depois te ter encerrado a liga feminina, a Federação Espanhola anunciou sua profissionalização.