O ex-Corinthians, Guilherme, e o seu papel fundamental no equilíbrio defensivo do Olympiacos campeão grego
Guilherme em ação pelo Olympiacos (Foto: Divulgação/Olympiacos)

Cobertura na defesa, saída de jogo, passe longo e efeito surpresa marcam o desempenho do volante brasileiro na Grécia

Depois de três temporadas longe da taça, o Olympiacos se sagrou campeão grego, e desta vez com uma campanha histórica, onde o clube se manteve invicto até a conquista conduzida pelo técnico português Pedro Martins, que recentemente renovou seu contrato com o clube até 2022.

Numa campanha deste calibre, é difícil destacar individualmente apenas um jogador, pois para que tamanho feito seja alcançado, todos tem que estar integralmente focados em desempenhar o seu papel da melhor maneira possível. Porém, por mais completo que qualquer elenco seja, todos tem sua espinha dorsal e seus pontos de equilíbrio fundamentais, e um destes pontos para o Olympiacos é o volante Guilherme, que os torcedores de Portuguesa e Corinthians conhecem muito bem.

Guilherme joga como primeiro volante no clube grego, e é o responsável pela saída de bola graças a sua qualidade de passe, que segundo o WhoScored, nesta temporada beirou 90% de precisão.

Para se ter uma noção do domínio que ele exerce na faixa do meio campo, em uma pesquisa feita no SofaScore, levantando os dados de desempenho dele na Champions League e na UEFA Europa League,  que foram as competições que mais exigiram nível técnico na temporada, ver-se que, ao todo, ele acertou mais de 82% de lançamentos que tentou, teve êxito em mais de 90% de seus dribles, e efetuou mais de 1 corte e 1 interceptação por jogo. Sua média de eficácia por jogo nas competições internacionais beira os 90%.

Mapa de calor do Guilherme na Champions League (Foto: Reprodução/SofaScore)

Não atoa ele ganhou a confiança do seu treinador e esteve presente em campo em 43 de 53 partidas disputadas na temporada, que ainda não acabou. E olha que não é tão simples desempenhar a sua função, pois seu posicionamento  em campo é delicado e de extrema importância, devido as movimentações que ele tem que fazer durante as partidas.

Mas quais são tais movimentações?

Saída de jogo:

Como o Olympiacos tem dois laterais que apoiam bastante, acaba optando por sair jogando num linha de três defensores, e o Guilherme fica responsável por se enfiar entre os dois zagueiros, que abrem para as laterias, fazendo com que ele receba a bola centralizado para começar as jogadas.  Constantemente ele é pressionado na saída de bola, porém, consegue se virar bem para concluir sua tarefa.

Perda da posse de bola no meio campo:

Seu posicionamento mais a direita faz com que seja responsável também por cobrir as subidas do Elabdellaoui, chegando a assumir a lateral direita imediatamente após o time perder a bola no meio campo.

Posicionamento defensivo quando o time está sob ataque:

Quando o time está sofrendo ataque, Guilherme tem que entrar na sua área, e se posicionar novamente entre os dois zagueiros, só que desta vez, de forma menos espaçada e contando com o apoio dos laterais, que ajudam a formar uma linha de 5 jogadores na defesa.

Movimentação no ataque:

Ofensivamente, ele explora os espaços deixados pelo adversário para surgir como elemento surpresa, em especial, no lado esquerdo do campo, onde ele tem a possibilidade de chutar cruzado.

Confira abaixo uma animação feita no TacticalPad, descrevendo as movimentações citadas no texto:

 

Com isso, o volante brasileiro não só é o responsável por refinar a saída de bola, como também por evitar que ela caia no pé do adversário em condições muito boas para concluir a jogada em gol.

Outro ponto marcante na temporada do Guilherme, foi sua participação nos grandes jogos. Bayern München, Tottenham, Wolverhampton e Panathinaicos, são exemplos de adversários em que ele ou marcou, ou deu assistência.

Inclusive, na partida de ida contra o Wolverhampton, válida pelas oitavas de finais da UEFA Europa League, outra característica que ele mostrou foi a de assumir o corredor ofensivo do lateral direito Elabdellaoui (camisa 14), quando ele não está presente. Fazendo isso, ele deu a assistência que gerou o gol do Olympiacos no jogo, conforme pode ser conferido abaixo:

 

Desde que se transferiu para o Olympiacos, que uma das principais armas do volante brasileiro se tornou a jogada aérea ofensiva. Guilherme costuma geralmente se posicionar no primeiro pau da cobrança, e se movimenta muito bem sendo letal para cabecear. Desta forma, ele marcou 3 dos 6 gols que fez na temporada,  como pode ser conferido no primeiro gol do vídeo abaixo:

 

A temporada ainda não acabou para o Olympiacos, que ainda tem que jogar mais 4 rodadas no campeonato grego, e a partida de volta das oitavas de finais da UEFA Europa League contra o Wolverhampton.

Guilherme tem 29 anos, e foi revelado pela Portuguesa, clube onde foi campeão brasileiro da série B de 2011. Suas boas atuações pelo time lusitano lhe renderam um contrato com o Corinthians, onde foi campeão paulista e da Recopa Sul-Americana. O meia foi vendido para a Udinese da Itália por 4,5 milhões de euros em 2014, e para tirar-lo do Deportivo La Coruña, o Olympiacos teve de desembolsar 2,5 milhões de euros em 2018. Seu contrato com o clube grego vai até junho de 2021, porém, tanto o clube, quanto o atleta, já demonstraram publicamente o interesse na renovação.