Saiba como a nova geração brasileira do Shakhtar vai em busca da conquista do bicampeonato da Liga Europa
Time do Shakhtar comemorando um gol na temporada (Foto: Divulgação/Shakhtar)

Com 13 brasileiros no elenco, sendo dois naturalizados, a geração atual do Shakhtar tenta repetir o feito da de Willian e Fernandinho

**Matéria feita em conjunto com João Paulo

No dia 20 de maio de 2009, o Shakhtar fez história após Jadson, ex-São Paulo e Corinthians, marcar aos 7 minutos do primeiro tempo da prorrogação, e garantir a conquista do maior título da história do futebol ucraniano. Este foi o grande auge do trabalho do treinador romeno Mircea Lucescu frente ao clube, muitos dos jogadores que estiveram naquela final viraram figuras importantes em gigantes europeus, e até mesmo em suas seleções nacionais em Copas do Mundo.

Hoje, sob comando de Luís Castro, a equipe está mais uma vez perto deste feito, pois na próxima segunda-feira (17/08), travará um confronto promissor contra o Internazionale comandada pelo treinador italiano Antônio Conte.

Mas o que explica o sucesso desta equipe? Como eles se comportam em campo?

Atacando no 4 x 2 x 3 x 1, o time do treinador português  gosta de ter a bola no pé, e conta bastante com o apoio dos seus laterias nas construções das jogadas, até por isso, Dodô, ex-Cortiba, foi muito bem nesta temporada. Com as subidas dos laterais, o brasileiro naturalizado ucraniano e ex-jogador do São Paulo, Marlos, acaba tendo a responsabilidade de cobrir-los, chegando muitas vezes a pisar na sua própria área para defender. Isso não quer dizer porém, que ele não participe da finalização das jogadas, dá pra dizer até que ele é o jogador mais importante do esquema tático da equipe ucraniana, pois todo o equilíbrio passa por ele.

Um exemplo disso pode ser conferido no vídeo abaixo:

Ao se defender, a equipe acaba sendo mais pragmática, e opta pelo simples posicionamento do 4 x 1 x 4 x 1, criando duas linhas de quadro que compactas protegem seus corredores internos e central, dando muitas vezes os laterais para seus adversários explorarem. Na Liga Europa e no campeonato ucraniano, este sistema funcionou muito bem, porém na Champions League, a coisa não foi tão bem assim, pois o time acabou tomando 13 gols na fase de grupos.

Um exemplo do espaço deixado nos corredores laterais pode ser conferido abaixo:

O futebol jogado pelo Shakhtar não vem chamando a atenção de hoje, pois no semestre passado, a equipe travou confrontos belíssimos contra o Manchester City e Atalanta, a sensação da Champions que disputou ponto a ponto a classificação nas oitavas com a equipe ucraniana, que acabou ficando um ponto atrás da equipe italiana.

Na Liga Europa já são 14 gols marcados e seis sofridos em cinco jogos. A equipe ucraniana venceu o Benfica na ida dos 16-avos-de-final por 2 x 1, empatou na volta em 3 x 3, venceu na ida fora de casa o Wolfsburg por 2 x 1, e por 3 x 0 em casa, e na última terça-feira (11/08), venceu o Basel por 4 x 1 em partida única realizada em Gelsenkirchen na Alemanha.

Mescla de gerações e passagem de bastão

Entre a geração campeã europeia e esta, teve outra muito promissora, de jogadores que foram segurados por mais tempo na Ucrânia, como atacante Taison e meia Alan Patrick. Eles são fundamentais para que essa garotada nova, como Dodô e Marcos Antônio, se adaptem da melhor forma possível na equipe, e não sofram tanta pressão quanto a equipe de 2009 sofria.

Confira abaixo alguns números e características dos brasileiros citados no texto:

Taison

O nome mais conhecido deste elenco, o jogador que fez parte do plantel da Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 2018, é muito importante para a criação de jogadas da equipe no setor esquerdo. Aos 32 anos, mais experiente, Taison se especializou na criação de jogadas, o que somado as suas características de velocidade e habilidade, faz dele uma das principais armas de Luís Castro, até mesmo para efetuar a marcação pressão, já que ele tem uma média de mais de 6,4 disputas de bola vencidas por partida.

Mapa de calor de Taison na Liga Europa (Foto: Reprodução/SofaScore)

Ele é o principal driblador do Shakhtar na Liga Europa, com média de mais de 4 dribles bem sucedidos por jogo, tendo um aproveitamento de 80%. É também um dos que mais toca na bola, com uma média de 65,6 toques por partida na competição europeia.

Contra o Basel, na última terça (11/08), ele sofreu um pênalti, e fez um gol, conforme pode ser conferido abaixo:

Alan Patrick

Alan Patrick é o “percussionista” da equipe, sendo muito importante nas participações diretas a gol. Já são 3 gols e uma assistência na competição, o que o deixa atrás apenas de Júnior Moraes, que tem 5. Das cinco partidas disputadas pelo Shakhtar na Liga Europa, apenas em uma ele não marcou ou deu assistência.

Em toda a temporada, o meia brasileiro já soma 9 gols e 7 assistências, este é o ano em que mais participou de gols na sua carreira, dá para dizer que ele vive o seu auge técnico.

Mapa de calor de Alan Patrick na Liga Europa (Foto: Reprodução/SofaScore)

Alan Patrick é o jogador que mais acertou passes por partida na Liga Europa pela equipe ucraniana, média de 56 (90% de precisão), o terceiro que mais finalizou (1,4 por jogo), o segundo com melhor média de passes decisivos (2 por jogo), o segundo que mais acerta dribles (3,2 por jogo e 70% de precisão), além de ser, também, o segundo com a melhor média de interceptações (1,4 por jogo).

Veja o belo gol que o meia marcou na partida de ida contra o Benfica:

Dodô

O lateral direito Dodô vem fazendo a melhor temporada de sua curta carreira, e não a toa vem sendo presença constante na Seleção Olímpica do Brasil. O jovem que foi revelado pelo Coritiba soma três gols e seis assistências na temporada, sendo dois gols e quatro assistências somente em competições europeias.

Na Liga Europa dos cinco jogos disputados pelo time ucraniano, ele esteve presente em quatro e participou de gols em três deles.

Mapa de calor de Dodô na Liga Europa (Foto: Reprodução/SofaScore)

Dodô se destaca bastante nos lançamentos longos, critério em que tem precisão de 88% na Liga Europa. Porém, não é só na questão ofensiva que o lateral se notabiliza, pois o jogador acerta 1,5 botes por jogo, sofre menos de um drible por partida (0,8), tem um número baixo de faltas cometidas (0,3 por jogo), e vence 3,5 duelos por partida (56% de precisão).

O calcanhar de aquiles do defensor são os duelos aéreos, onde ele ganha apenas 0,3 por jogo, aproveitamento de apenas 14%, o que se dá também devido a sua baixa estatura de 1,66 metros.

Sua velocidade talvez seja sua principal marca, contra o Wolfsburg pelas oitavas-de-final, ele alcançou incríveis 33,8 km/h. Lembrando que o recorde registrado pela FIFA neste quesito é o de Bruno Henrique, atacante do Flamengo, que alcançou 38 km/h, ultrapassando o galês Gareth Bale, que era o detentor da maior marca com 36,9 km/h.

Dodô usa bem de sua velocidade para puxar contra-ataques, e seu perfil atlético também facilita na recomposição defensiva. Sua melhor partida na Liga Europa foi contra o Wolfsburg, quando além de marcar teve um desempenho muito bom dentro de campo.

Veja seu gol na partida contra o Basel, válida pelas quartas-de-final:

Marcos Antônio (Marcos Bahia)

Com apenas 20 anos de idade, o ex-Athletico-PR, Marcos Antônio, que saiu do Brasil conhecido como Marcos Bahia, é um dos principais articuladores do meio campo deste time do Shakhtar ao lado do Alan Patrick. Tocando em média quase 60 vezes na bola por jogo na Liga Europa, ele foi o 5º  da equipe que mais acertou passes, com uma média 43,8 por partida (94% de precisão), foi o terceiro que mais efetuou desarmes (1,6 por partida), e o segundo que mais acertou passes em bolas longas (3,6 por partida).

Mapa de calor de Marcos Antônio na Liga Europa (Foto: Reprodução/SofaScore)

Importante ressaltar que, sendo o terceiro em desarmes da equipe na competição, ele não foi punido com cartões em nenhuma partida da Liga Europa. É um jogador muito técnico e cheio de recursos que certamente será um dos grandes destaques do futebol mundial em breve.

Veja o gol que ele fez no jogo de ida contra o Wolfsburg pelas oitavas-de-final: